domingo, 8 de maio de 2011

O bolinho de caramelo

Meses sem postar aqui no blog. Eu sei, abandonei quase que completamente. Mas... Voltamos ao Brasil e tudo volta ao "normal". Um monte de coisas pra fazer, vida pra acertar, etc e etc. E, no fim das contas, o blog era o meu contato com os amigos do Brasil. Estando aqui, acabou ficando obsoleto. Porém, hoje aconteceu um evento culinário que merecia ser registrado aqui. Super, hiper, ultra empolgada convidei seletos amigos para virem em casa comer uns quitutes; num clima meio chá da tarde com cerveja. Prometi o famoso pão de queijo e umas surpresinhas. O tal pão de queijo ficou absolutamente fantástico, mas admito que não tem muito segredo no preparo e mesmo com algumas barbeiragens pode ficar muito gostoso. O de hoje superou até as minhas expectativas. Depois do pão de queijo fiz o teste do mini-cake com queijo minas frescal, peito de peru e cebola. Hummmm... O tempeiro ficou bem gostoso, mas a forminha de cupcake grudou demais no bolinhos e eu diria que "atrapalhou' um pouco. Nada demais, uma falha superável. O grande problema foi a estrela da noite! Os moelleux de caramelo... Estou absolutamente frustrada, pois eles viraram medíocres bolinhos de caramelo. Os malditinhos até cresceram, mesmo sem fermento, nem claras em neve, nem nada que induzisse o crescimento. Cresceram porque quiseram crescer. Ficaram fofinhos! Oras bolas, eles são moelleux e não cupcakes ou muffins!!!! Todos na espectativa de cortar o bolinhos e escorrer um delicioso, LÍQUIDO recheio de caramelo e tcharam: bolinhos de caramelo! O forno, o tempo, eu... sabe-se lá o que aconteceu de errado, mas o que deveria ser um bolo semi batumado com recheio cremoso virou lindos e fofos bolinhos. Frustrante! O prêmio ficou para os pães de queijo e eu fiquei aqui, indignada em errar logo pra esses amigos.... Tudo bem... Afinal, a conversa foi ótima, a companhia fantástica, a sobremesa fofa e o "sol" ficou por aqui! Sem falar na minha nova xícara igualzinha a garrafa comemorativa do Campari... Deixemos para a próxima!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Delícias Vikings!

A próxima parada do nosso tour monarquico foi na Dinamarca. A comida por lá é mais pesada do que a sueca, um pouco parecida com a alemã. Afinal, os dinamarqueses são os vikings que se fixaram no continente. Deixaram o mundo da fantasia da península escandinava... Copenhague também têm as barraquinhas com o churros de salsicha (Franskmannen na Suécia), mas lá chama-se Pølse. Acabamos não provando a comida de rua em Copenhague, optamos por outras experiências gastronômicas. 
Spareribs.
A primeira delas foi um jantar na Bryggeriet Apollo (Vesterbrogade, 3 - Tivoli). É uma cervejaria artesanal, os dinamarqueses são conhecidos pelas micro-cervejarias; mas isso fica para uma postagem específica. Uma cervejaria que serve deliciosos e incríveis pratos de carne! Lembram-se da "incrível destruição das costelinhas", que eu postei certa vez falando de Amsterdã?! Pois é, Copenhague superou essa esperiência.

ølglasseret oksesteg
Testamos dois pratos: costelinhas de boi glaceadas, servidas com molho chilli e barbacue, batatas fritas e coleslaw (salada de repolho branco e roxo com cenouras e maionese); em dinamarquês?! Simplesmente spareribs... um prato americano que se fixou nos cardápios dinamarqueses. O outro, esse sim dinamarquês e absolutamente fenomenal, ølglasseret oksesteg med kartoffelmos og tyttebær (bifes de alcatra/picanha - o corte é diferente - cozidos e glaceados com cerveja stout, servido com purê de batatas, salada de rúcula e amora alpina). Juro que minha boca saliva só de pensar nesse prato. A carne estava absolutamente perfeita, macia, no ponto. O sabor... hummmmm... delicioso! E, a combinação com as frutinhas doces, a rúcula e o purê: fenomenal! O prato era enorme e eu não conseguia parar de comer. Vale a pena provar, delicioso!
A amora alpina é uma frutinha da família da cranberry (oxicoco, em português... aquela cujo suco se usa para fazer o drink Cosmopolitan), um arbustinhos cheio de bolinhas vermelhas, quando os frutos estão maduros. Geralmente não são cultivadas e sim coletadas na área silvestre. São extremamente frequentes nos pratos dinamarqueses. O prato que escolhi no almoço do dia seguinte tinha o que?! Amora alpina! Outra experiência interessantíssima.
Røget laks med røræg
Comemos no Galionen Steak & Lobster (Nyhavn, 23) Provamos os smørrebrød, que são pratos frios com uma fatia de pão coberta de carne, peixe ou legumes. Em geral, usa-se o rugbrød, que é o pão preto dinamarquês. Os pratos foram Røget laks med røræg (salmão defumado com ovos mexidos), Roastbeef med peberrod, ristede løg og pickles (rosbife com raiz forte e picles) e Fiskefrikadeller med tyttebær og løgkompot (bolinhos de peixe típicos com creme de cebola e amoras alpinas).
Roastbeef
Todos os pratos estavam absolutamente fenomenais. Eu fiquei com os bolinhos de peixe, um prato tipicamente dinamarquês que definitivamente precisa ser provado um dia. Uma consistência estranha, bem diferente. No Brasil diriam, embatumado. Não era isso... o peixe estava completamente triturado e formava uma massinha muito semelhante a um knödel alemão ou sei lá... talvéz um gnocchi de farinha de sêmola. Logicamente que com um delicioso e único sabor de peixe. O creme de cebola era também fantástico. Confeso que fiquei um pouco irritada, pois o Érico ficava roubando o creme de cebola para o prato dele. As
Fiskefrikadeller
amoras alpinas combinadas com o bolinho de peixe... hummmm... sabor, sabor, sabor! Todos os outros pratos eram smørrebrod, então tinha o tal pão preto por baixo, apesar de na foto não aparecer. Comidinhas de muito peso, definitivamente. Deliciosas e que fazem você sair rolando! A Dinamarca é uma delícia, até que se prove as cervejas... hehehe. Realmente vale a pena provar as delícias vikings!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Bebendo com os Elfos

Skål com Pripps Blå
Beber na Suécia não é tão simples quanto no Brasil ou aqui na Itália. A terra dos elfos tem regras específicas para a comercialização de bebidas alcóolicas, bem diferentes do que estamos acostumados no Brasil. O jeito mais fácil de encontrar uma bebida que não seja de criança (teor alcoólico superior a 3,5%) é nos bares e pubs. Entretanto, também é a maneira mais cara (uma pint de cerveja nacional custa em torno de 40 skr, ou 10 reais). Esqueça o mercado! Os mercados e supermercados só podem vender bebidas alcoólicas com até 3,5%. Foi muito estranho ver na prateleira uma Guiness com 3,5% de álcool. As lanchonetes e quiosques de salsicha na rua, até 2,1%. Sério, 2,1%! Melhor pedir um refrigerante! A única vantagem de beber no quiosque é que a latinha que vem morna fica estupidamente gelada em poucos minutos. Peculiaridade de lugares que são  mais frios do que o freezer da sua geladeira... O único lugar que comercializa bebidas com os teores alcoólicos que estamos acostumados é o Systembolaget.
Sábado no pub com Dr. Xapatinhos.
Com esse nome e considerando que estavam juntos Érico, Corvo e Cacá; o local foi rapidamente apelidado de BolaGato. Durante nosso passeio de sábado, procuramos por um BolaGato... Todos fechados! Outro detalhe importante: se você pretende beber na Suécia, programe-se com antecedência, pois os BolaGatos fecham no sábado as 15hs e não abrem aos domingos. Durante a semana ficam até as 20h, afinal, não é no final de semana que as pessoas bebem...
Akvavit
Só mais um pequeno detalhe antes de passar para a parte que realmente interessa: as bebidas que provamos. Mesmo nos bares as cervejas são diferenciadas pelo teor alcoólico. A Suécia não é um grande país cervejeiro, então não existe muita variação de sabor entre as cervejas tipicamente suecas. Existe sim, variação de teor alcoólico: Starköl - cerveja forte, acima de 4,5%; Mellanöl - cerveja média, entre 3,5 e 4,5% e Folköl - cerveja do povo, entre 2,1 e 3,5%. Em posse de todas essas informações, tendo perdido o horário do BolaGato e verificando que todos os bares de Estocolmo são extremamente aconchegantes optamos por beber no bar mesmo.
Barraquinha de Glögg
O frio que faz em Estocolmo definitivamente atrai bebidas. Em muitos momentos bebemos uma coisinha ou outra pra ajudar o corpo a esquentar. Realmente funciona! No dia em jantamos no Tennstopet Restaurang provamos a cerveja Pripps Blå, versão starköl e os meninos encararam o snapps mais conhecido da Suécia (depois da vodka Absolut), o akvavit. O akvavit é servido em uma tigelinha com gelo e deve-se colocar no copo somente a quantidade para beber em um gole só. Melhor não deixar esquentar, senão fica bem mais difícil de beber. O sabor é bem parecido com o de uma pinga seca com um retrogosto de alcaçuz. Até que é gostosinho... Os meninos adoraram! Quanto a cerveja, gostosa, mas nada de especial; uma larger padrão. No dia seguinte, o dia das andanças, descobrimos uma bebida fenomenal para o frio: o Glögg, vinho quente com especiarias, amêndoas, passas e um pouco de snapps. Em muitas áreas da cidade tem barraquinhas de Glögg, que é servido como se fosse um cafezinho junto com um Pepparkakor (deliciosos biscoitinhos de gengibre).
Glögg
Os bares também servem o Glögg, só que de um jeito bem mais sofisticado e mais alcoólico também. Nossa noite de sábado foi regada à Falcon, uma starköl um pouco mais amarga do que a Pripps Blå, e akvavit. Muito akvavit! Ao som do Dr. Xapatinhos, os meninos acabaram com a akvavit do bar. Passaram para os snapps dinamarqueses... coisa de viking, ou melhor, bárbaro. Mas, a Dinamarca fica para outra postagem... A grande vantagem foi o calor da ressaca para aquecer os corpos nos 15 minutos de caminhada, com neve na cara, -15ºC, até chegar na estação de trem. Ufa! E, que venha Copenhague!
Skål!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Comendo com os Elfos

Knäckebröd
A culinária sueca é surpreendente, assim como Estocolmo. Chegamos na Terra dos Elfos pensando em comer muito peixe e salsicha; em pratos pesados. Afinal, o frio que faz por lá atrai coisas com bastante "sustância". Eis que descobrimos uma culinária local elaborada, saborosíssima e incrivelmente leve. A nossa primeira noite em Estocolmo foi premiada com uma fantástica experiência gastronômica. Era aniversário do Érico e decidimos comemorar em um bom restaurante. Fomos ao Tennstopet Restaurang (Dalagatan, 50 - Odenplan - Estocolmo), um excelente restaurante e pub que serve comida típica sueca desde 1867. Caro?! Definitivamente não, principalmente para quem mora em São Paulo. Os pães de entrada, snapps típico sueco, prato principal com acompanhamentos e 2 pints de cerveja sueca custam em torno de 100 reais por pessoa. Isso contanto os 10 "dinheiros" para o guardador de casacos. O serviço é excelente! Na cesta de pães da entrada tinha o Knäckebröd, que é um pão chato e crocante tipicamente sueco. Muito gostoso, lembra uma torrada.
Fläsklägg
Rimmad Lax
Depois de ir e voltar diversas vezes no cardápio e passar por coisas bem diferentes como carne de rena, acabamos optando pelos seguintes pratos: o Érico escolheu o Fläsklägg med hemlagat rotmos (joelho de porco assado com purê caseiro de nabos e mostarda forte), eu o Rimmad Lax med Dillstuvad Potatis (Salmão curado acompanhado de batatas ao molho de endro), Cacá, Ju e André escolheram o Stekt strömming (arenque báltico frito acompanhado de purê de batatas). Todos os pratos estavam absolutamente deliciosos. O purê de nabos do Érico definitivamente não parecia um simples purê de nabos e estava saborosissímo. O salmão estava absolutamente delicioso... 
Stekt strömming
O arenque frito sem excesso de óleo... Saímos do restaurante rolando e extremamente satisfeitos! A primeira surpresa do dia seguinte aconteceu já no café da manhã: pepinos frescos, Knäckebröd e outros pães (tradicional, branco com cereais e preto com cereais), queijo, uma deliciosa geléia (cada mesa tinha um sabor diferente; a de morangos era estupenda, tinha morangos inteiros) e a melhor manteiga do universo - Smör. Uma manteiga de nata que derete na boca e possui a quantidade exata de sal. Absolutamente deliciosa! Decidimos que o almoço seria comidinhas de rua, assim aproveitaríamos melhor o pouco tempo de luz do sol que faz por lá nessa época do ano. Nova surpresa! Elegemos o cachorro-quente sueco o melhor de todos os cachorros-quentes - Tunnbrödsrulle (barraquinha no Karlaplan em frente ao centro comercial Fältöversten). Nunca imaginei um pão com salsicha tão gostoso. Bom, também não podia ser diferente, os suecos são apreciadores de salsicha desde o tempo dos vikings. Comemos a salsicha tradicional sueca grelhada- falukorv -  envolta de purê de batata, cebolas crocantes, catchup e mostarda em um pão que parece uma tortilla - tunnbröd. Vem com uma colher pra poder comer só o purê... Absolutamente delicioso!
Tunnbrödsrulle

Franskmannen
Ainda tinha outras opções de salsicha, como: tradicional enroladinha no bacon (dá água-na-boca de lembrar), choriço, algumas variedades de salsichas alemãs, polonesas e romenas. O jantar foi de novo cachorro-quente, depois da nossa "passadinha" no bar (veja a próxima postagem). Dessa vez optamos pelo tradicional Franskmannen, que é um "churros" de salsicha com muito catchup e mostarda. A parte churros é um pão que encaixa a salsicha dentro, de sabor bem parecido com o nosso pão de cachorro-quente. Muito gostoso mas nada supera o Tunnbrödsrulle. De qualquer cheio, comi dois! Enfim, Estocolmo não é só um lugar maravilhoso, mágico e lindíssimo, como uma excelente opção para um tour gastronômico!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Biscoitos de Gengibre

Os biscoitos de gengibre são um clássico natalino no norte do planeta. No Brasil, não é tão comum fazermos esse tipo de biscoito para as festas de final de ano. Por que? Simples: é um biscoito feito com uma mistura de especiarias, com sabor forte que definitivamente não combina com o calor. Já fazia algum tempo que eu queria testar a receita desses biscoitinhos e nada melhor do que no Natal, pois eles ainda são ótimos para a decoração. Infelizmente não consegui decorá-los com glacê para ficarem mais bonitinhos, mas garanto que ficaram deliciosos. São perfeitos com uma xícara de chá!

Dicas:
- Evite trabalhar a massa com as mãos, pois o calor das mãos derrete a manteiga e pode desandar a massa. Prefira usar uma espátula.
- Sempre trabalhe rapidamente a massa, em superfície fria e evitando que ela esquente muito.
- Deixar os biscoitos na geladeira, já no formato desejado, antes de levar ao forno faz com que eles tenham menos chance de derreter e perder completamente a forma.
- A decoração pode ser feita com um galcê simples: 1 clara em neve batida com 200g de açúcar de confeiteiro. Utilize corante alimentar para deixar o glacê nas cores desejadas.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Petits Fours de Massa Folhada

Os petits fours de massa folhada, tanto de páprica picante quanto de azeitonas foram feitos com o que sobrou da massa folhada; depois que eu fiz as 6 cestinhas para o doce de frutas vermelhas. Portanto, a receita da massa é a mesma da postagem anterior. Deve-se estender a massa até que fique com mais ou menos 3mm de espessura. Cortar os petits fours com um cortador de biscoitos. Eu usei um cortador em forma de losângo para os de páprica picante e de flor para os de azeitona. Leve os petits fours, já no formato desejado, novamente para a geladeira por pelo menos 30 minutos. Essa etapa vai garantir que eles não fiquem disformes e cresçam adequadamente.
- Petits fours de massa folhada com azeitona: facílimos de fazer! Antes de colocar a massa folhada no forno coloque rodelas de azeitona verde sobre a massa. Leve ao forno, em forma coberta com papel de forno (200ºC), por cerca de 15 minutos ou até que a massa tenha crescido e esteja levemente dourada.
- Petits fours de massa folhada sabor páprica picante: tembém muito fáceis de fazer. Misture uma gema de ovo com uma colher de sopa de páprica picante, uma colher de chá de azeite de oliva e uma pitada de sal. Retire os petits fours da geladeira e pincele com a mistura de páprica antes de levar ao forno. Leve ao forno, em forma coberta com papel de forno (200ºC), por cerca de 15 minutos ou até que a massa tenha crescido e a superfície esteja vermelha e brilhante.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Massa Folhada

Essa receita pode parecer meio perdida aqui no meio das receitas de Natal e Ano Novo, mas definitivamente não está. A massa folhada foi a base para a sobremesa mais disputada do Natal, as cestinhas de massa folhada com creme e frutas vermelhas frescas, dos petits fours de massa folhada com páprica picante e com azeitona e dos "peixinhos" da sopa de aspargos verdes. Ufa! Usei muito a massa folhada no Natal. O braços e o nariz dos bonecos de neve, a palha da manjedoura do menino Jesus... tudo de massa folhada. Aproveitei cada sobra da massa! Foi ótimo, nada de desperdício. Esse tipo de massa não é dos mais fáceis de se fazer, mas também não é nenhum bicho-de-sete-cabeças. Um pouquinho de concentração e paciência são suficientes para que a massa fique deliciosa e perfeita! O grande segredo, para que ela fique realmente folhada e cresça no forno sem perder a forma é sempre utilizá-la bem gelada, recém-saída da geladeira. Nada de manipular demais com as mãos ou deixá-la em temperatura ambiente. Se os passos da receita forem seguidos direitinhos e você utilizar essas dicas, o sucesso está garantido! Segue a receita, infelizmente sem fotos...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Petits Fours de Parmesão com Cogumelos Frescos

Acredito que esse foi um dos canapés favoritos do Natal. Eu não havia programado fazer canapés. Estava com a mente tão entretida inventando os pratos e sobremesas que ignorei os "belisquetes". Eu estava fazendo um milhão de coisas, muitas delas simultaneamente, cozinhava sem parar. Entretanto, comecei a pensar que seria bom ter alguma coisa para beliscar enquanto não iniciavamos a ceia propriamente dita. Já estavam no programa os biscoitinhos de gengibre, mas como todos estariam bebendo, um doce não é a melhor opção. A idéia dos petits fours de parmesão com Cogumelos frescos surgiu enquanto eu fazia as bengalinhas de parmesão. Peguei parte da massa, que é a mesma dos breadsticks de parmesão, estiquei e cortei com um cortador de biscoitos em formato de flor. Refoguei 2 cogumelos do tipo agaricus frescos (o branquinho comum) cortados em pedaços pequenos, com uma colher de chá de manteiga, um pouquinho de molho inglês e uma pitada de sal. Misturei o refogado de cogumelos, depois de frio, com 50g de queijo mussarela ralado. Bem no meio de cada florzinha de massa coloquei uma pequena quantidade do refogado de cogumelo com queijo. E, em mais ou menos 15 minutos de forno à 200ºC estavam prontos os petits fours de parmesão com cogumelos frescos. Facílimos de fazer, deliciosos e, o melhor, com aproveitamento de uma das receitas que eu já estava fazendo.

Dicas:
- Asse os petits fours em uma forma recoberta com papel de forno, eles ficam mais macios e só com uma casquinha crocante.
- A espessura da massa deve ser de mais ou menos 0,5cm. Lembre-se que no forno, por se tratar de uma massa de pão, a massa cresce. Se você fizer a massa muito espessa vai ter pãezinhos e não petits fours... E, talvez o recheio caia de cima da massa.
- Corte em diferentes formatos! Só não esqueça que quanto menor, mais rápido vai assar.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Festas de Final de Ano!

O final de ano foi bastante movimentado. Recebemos diversas visitas, passeamos um pouquinho por Roma e arredores, comemos muito e nos divertimos bastante. Acabei abandonando quase que completamente o blog, pois as tarefas domésticas e de hospitalidade acabaram consumindo quase todo o tempo. Fizemos as festas de Natal e Ano Novo aqui em casa mesmo. Foram excelentes e divertidíssimas! No Natal estávamos em 6 pessoas, Érico, Juliano, Maria Clara, Henrique (meu irmão), Fernanda e eu. No ano novo: Juliano, Maria Clara, Érico e eu. Elaborei cardápios especiais para as duas comemorações. Fiquei cozinhando mais ou menos umas 8 ou 9 horas por dia durante 3 dias para o cardápio de Natal. Sem abandonar as "obrigações" domésticas... Foi cansativo! Valeu muito a pena. Já no ano novo tive que ser mais veloz, apenas 1 dia e uma noite para preparar tudo. Tudo muito bom também. Confesso que gostaria de ter dado mais pitaco nas bebidas do Ano Novo, mas dessa vez deixei o Érico e o Juliano decidindo sozinhos... Sem problemas, foi uma deliciosa comemoração. Descobrimos que em Roma a comemoração de reveillon é muito semelhante a que acontece nas praias do Brasil. Muitos fogos, muito barulho... Parecia que estavamos no Brasil, em Camboriú ou Camburi.
Anotei todas as receitas, modo de preparo. Só faltaram as fotos de todos os passos, infelizmente, fiz muita coisa ao mesmo tempo e ficou difícil parar tudo para fotografar cada etapa. Ainda estou terminando a organização de tudo para colocar aqui no blog, por enquanto deixo vocês com os cardápios de Natal e Ano Novo e algumas fotos para aguçar a curiosidade.

Natal

Canapés
- Petits fours de parmesão com cogumelos frescos
- Petits fours de massa folhada com páprica picante
- Petits fours de massa folhada com azeitonas
- Biscoitos de gengibre

*Aperol com laranja e água tônica
*Cerveja ale irlandesa



Entrada
- Sopa de Aspargos Verdes com "peixinhos" de massa folhada
- Bengalinha de pão de parmesão
 
*Vinho Alghero Rosé DOC


Prato Principal
- Lombo de porco ao forno recheado com purê de maçã verde
- Lombo de porco ao forno recheado com farofa de bacon e passas
- Molho de especiarias

*Vinho Corvo Tinto

Acompanhamentos
- Mini-batata suiça recheada com mussarela, bacon, passas e nozes.
- Tomate cereja marinado com manjericão e mussarela de búfala.
- Salada verde.






Sobremesa
- Muffins de nozes, castanhas e amêndoas recheados e cobertos com ganache de chocolate. Decorados com glacê suiço.
- Cestinhas de massa folhada com creme e frutas do bosque frescas.
- Cerejas espanholas gigantes.

*Prosecco Valdobbiadene DOCG
*Veuve Clicquot Ponsardin Brut


  


Ano Novo



Canapés
- Azeitona dolce (azeitona natural, não conservada em salmoura).
- Jamon espanhol com limão
- Anéis de Lula à Romana

*Cerveja larger alemã





Entrada
- Capeletti tricolor ao molho bechamel (amarelo: massa de açafrão com recheio de ricota e amêndoas, verde: massa de espinafre com recheio de ricota, passas e nozes, rosa: massa de beterraba com recheio de fungos pleurotus e mussarela).
 
*Vinho Alghero Rosé DOC







Prato Principal
- Filé de merluza com camarão e legumes (pepino, cenoura, broto de soja, cebola, alho, salsinha fresca) coberto de fungo pleurotus.

*Vinho Alghero Rosé DOC
*Cerveja alemã larger

Acompanhamentos
- Salada verde





Sobremesa
- Carolinas de creme com ganache de chocolate
- Mousse tricolor com coulis de frutas do bosque (mousse de chocolate meio amargo, mousse de frutas do bosque e mousse de chocolate branco com amêndoas)
- Uvas brancas

*Prosecco Valdobbiadene DOCG

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Cupcakes de Chocolate

Ontem falei das Whoopie pies e disse que elas viraram febre nos Estados Unidos junto com os Cupcakes. Pois bem, a receita de hoje é de um sabor clássico de cupcake: Chocolate! Em geral, não faço muitos bolos ou cupcakes de chocolate. Não tenho a menor idéia de por que, mas acabo sempre preferindo fazer doces com frutas. No moelleux, por exemplo, preferi fazer o bolinho de framboesa, para constrastar com o chocolate do recheio e não ficar muito enjoativo. Um blog de culinária não pode deixar de ter ao menos uma receita de bolo de chocolate. O problema é: quem vai comer o tal bolo de chocolate? Essa pergunta explica o fato de que os lindos cupcakes da foto ai em cima não são meus. Isso mesmo, não fui eu que fiz. Quem fez foi uma amiga, que também mora aqui na Itália, a Juliana. Ficar muito tempo longe de casa e dos amigos acaba levando as mulheres para a cozinha. Isso já virou clichê. Eu, a Ju e a Betina somos alguns exemplos entre outros tantos. A Ju já está virando profissional! Faz umas coisinhas lindas e apetitosas. Os cupcakes dela ficaram com uma cara deliciosa e ela ainda se empenhou na decoração. Ficaram muito fofos e muito bem feitos. Não é a toa que as crianças do condomínio dela adoraram! Ainda vou colocar mais receitas dela por aqui. Mesmo ela me matando de vontade quando publica fotos de brigadeiros no facebook...
Cupcakes decorados da Ju.
Os cupcakes foram decorados com pasta americana, também conhecido como fondant. É possível comprar a pasta americana pronta em lojas especializadas, mas não é muito complicado de fazer em casa. Pasta americana me traz muitas recordações de infância, pois quando era pequena adorava assistir ao programa "Confeitando Bolos com Marta Ballina". Ela fazia bolos espetaculares e ensinava passo-a-passo nesse programa de tv. Por isso, escolhi a receita da pasta americana da Marta Ballina, caso vocês queiram decorar os cupcakes como a Ju fez. Também encontrei uma receita de fondant de marshmallow, que parece facílimo de fazer e precisa de ingredientes menos complexos do que a pasta americana. Acho que vale a pena testar. Seguem as receitas dos Cupcakes de Chocolate, da Pasta Americana e do Fondant de Marshmallow.

por Juliana Cabral - Pádua - Itália

Pasta Americana (Marta Ballina)
Ingredientes:
- 150mL de água
- 21g de gelatina
- 3 colheres de sopa de glucose
- 60g de gordura vegetal
- 1 colher de sopa de essência de amêndoas
- Açúcar impalpável* (aproximadamente 1.300g)
*pode ser feito em casa: 500g de açúcar de confeiteiro, 27g de amido de milho. Bater no liquidificador até ficar bem fininho.

Modo de Preparo:
- Em uma tigela em banho-maria, dissolver a gelatina na água.
- Quando a gelatina estiver bem dissolvida, adicionar a glucose, a gordura vegetal e a essência de amêndoas.
- Misture até formar um líquido homogêneo.
- Coloque um pouco de açúcar impalpável sobre uma superfície limpa (mais ou menos 800g); abra um buraco no meio e verta a mistura de gelatina, gordura e essência.
- Com os dedos vá incorporando açúcar. Adicione açúcar até que fique com uma consistência firme, macia e maleável.
- Trabalhe a massa até que fique bem elática.
- Guarde em um saco plástico.
PS. Deve ser feita no dia do uso. Utilize corantes alimentares (líquido ou pastoso) para deixar a pasta nas cores desejadas.

Marshmallow Fondant
Ingredientes:
- 150g de marshmallows
- 15mL de água
- 330g de açúcar impalpável

Modo de Preparo:
- Em uma tigela em banho-maria, dissolver os marshmallows com a água. (Cerca de 20 minutos)
- Retirar do fogo e adicionar 150g de açúcar.
- Colocar o restante do açúcar em uma superfície limpa. Verter a mistura de marshmallow.
- Trabalhar a massa até que fique homogênea e elástica.
- Utilize corantes alimentares (líquido ou pastoso) para deixar o fondant nas cores desejadas.
- Envolver a massa com filme plástico e deixar repousar por pelo menos 24 horas antes de utilizar.

PS. Duram até 2 meses se conservado em recipiente hermético.
O marshmallow é aquele coloridinho de pacote (Campfire). Tente comprar os brancos, caso não encontre, evite os muito coloridos, senão a mistura vai ficar marrom "merda"....

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Whoopie Pies!

Feriado! Muitos podem pensar: Oba! Ótimo! Whoopie! Mas que nada... Uma droga, quando não se trabalha, feriado atrapalha. Eis que fomos para a academia, faz parte da rotina diária, e demos de cara com a porta fechada. Chato... Atrapalha a rotina e o sono, cansaso físico é importante para dormir bem. Ganhei duas horas a mais de internet hoje... Estava lendo a Folha e vi uma reportagem sobre Whoopie Pies. Nela dizia que as Whoopie pies estão chegando no mercado brasileiro e podem virar uma febre, como os cupcakes; mas sem substituir estes. Como em todas as reportagens que tratam de receitas estrangeiras que são absorvidas pelo Brasil tem o tradicional excesso de brasilidade. Va bene! Até que está muito melhor embasada do que o padrão... Serviu para aguçar minha curiosidade. Já havia visto whoopie pies no Top Chef Just Deserts, mas confesso que não me interessei por elas. Parecia um biscoito negresco e definitivamente não sou a maior fã do mundo desse tipo de biscoito. Bom, fui pesquisar. Descobri que os Whoopie pies, também chamados de Marshmallow Fluff, Gob, Black-and-White, Bob e BFO (Big Fat Oreo), viraram mania nacional nos Estados Unidos, em 2009. Desde então ganharam mais espaço, variações e estão ao lado dos cupcakes na preferência nacional norte-americana. O The New York Times fez uma reportagem bem interessante sobre as Whoopie Pies no início de 2009. Mania americana?! Futura mania brasileira?! Mas afinal, o que são Whoopie Pies?! São uma "coisa" doce que não é um bolinho, nem um biscoito, muito menos um macaron. É um Whoopie pie! Duas metades (do tamanho de um hamburguer. Sim! Enormes!) com textura intermediária entre bolo e biscoito, recheadas com algum tipo de creme. Um "cake-like sandwich" ou "sandwich-like cake"...
textura da whoopie pie
O original possui as metades sabor chocolate e recheio de marshmallow. As principais variações são: metades de abóbora ou red velvet e recheio de buttercream ou creme francês de baunilha. Os Whoopie pies são tradicionais na comunidade Amish da Pensilvânia e considerados um fenômeno na Nova Inglaterra. E, provavelmente chegaram aos Estados Unidos trazidos por grupos alemães e suiços - Amish e protestantes. Os homens costumavam levar Whoopie pies para comer no intervalo do trabalho. A idéia de colocar a cobertura dentro do bolo é de evitar que essa meleque tudo na lancheira e se perca. Não se sabe exatamente porquê os Whoopie pies espalharam-se pelos Estados Unidos somente em 2009. Sinceramente, continuo não vendo nada de especial nos Whoopie pies. E, definitivamente não acho que a "criatividade" brasileira (que eu chamaria de adaptação ao paladar e ingredientes locais) em substituir o recheio por brigadeiro ou doce de leite vai deixá-los mais atrativos. Na verdade, acho que eles só ficarão um pouco mais enjoativos. É uma bolacha fofa! Mas, para quem gosta de doce muito doce, ou tem crianças em casa e quiser arriscar, seguem duas receitas de Whoopie pies (estão em medidas americanas, se precisar use as tabelas de conversão de medidas). Quem testar, por favor, mande as impressões sobre a receita, fotos do resultado (troquem o recheio por algo mais simples...). Quem sabe sou convencida a testar também!

Amish Whoopie Pie
Ingredientes:
- 2 xícaras de açúcar
- 1 xícara degordura vegetal hidrogenada
- 2 ovos
- 4 xícaras de farinha
- 1 xícara de chocolate em pó (o famoso do padre)
- 2 tsp. essência de baunilha
- 1 tsp. de sal
- 1 xícara de leite azedo*
- 2 tsp. de bicarbonato de sódio
- 1 xícara de água quente.

*1 colher de sopa de vinagre de alcóol ou limão em uma xícara de leite integral, repouso de 15 minutos. (Deve coalhar).

Modo de Preparo:
- Bata o açúcar com a gordura vegetal. Adicione os ovos.
- Misture aos poucos a mistura de gordura, ovos e açúcar com o leite azedo.
- Adicione a baunilha.
- Dissolva o bicarbonato de sódio com a água quente e adicione por último.
- Mexa bem.
- Coloque em uma forma colheradas no formato de um cookie.
- Assar a 200ºC por 8 a 10 minutos.
- Faça sanduíches com 2 cookies, recheio de creme de marshmallow.

S'mores Whoopie Pie 
Ingredientes:
- 3 tsp. de manteiga (temperatura ambiente)
- 1 xícara de açúcar
- 1 ovo grande
- 1 tsp. de essência de baunilha
- 2 xícaras de farinha
- 1/2 xícara de chocolate em pó (chocolate do padre)
- 1/2 tsp. de sal
- 1 tsp. de bicarbonato de sódio
- 1/2 xícara de leite azedo*.
*1 colher de sopa de vinagre de alcóol ou limão em uma xícara de leite integral, repouso de 15 minutos. (Deve coalhar).

Ingredientes do recheio:
- 250g de manteiga (temperatura ambiente)
- 7 oz. de creme de marshmallows tostados 
- 1/2 xícara de açúcar
- 1 pacote de bolacha maria esmigalhada.

Modo de Preparo:
- Pré-aquecer o forno à 190ºC.
- Bata a manteiga com o creme de marshmallow até ficar macio. 
- Adicione lentamente o açúcar, bata até ficar cremoso.
- Em uma tigela grande bata o açúcar e a manteiga por mais ou menos 1 minuto, até agregarem bem. Deve ficar com consistência de areia molhada. Adicione o ovo e a baunilha e bata até ficar macio.
- Em uma tigela média misture os ingredientes secos.
- Em uma tigela pequena dissolva o bicarbonato de sódio em 1/2 xícara de água quente.
- Com um mixer ou a mão, misture 1/3 dos ingredientes secos, metade do leite azedo e metade da mistura de bicarbonato. Misture bem. Repita com o outro terço dos ingredientes secos, do leite azedo, e da mistura de bicarbonato e o restante dos ingredientes secos. Misture bem, até que forme uma massa homogênea.
- Coloque em uma forma (usar uma colher de sorvete) colheradas de massa (sinta-se a vontade de fazer no tamanho que quiser) distantes mais ou menos 5 cm uma da outra. 
- Asse de 6 a 8 minutos, até que a superfície não pareça mais úmida e que amasse quando levemente pressionado.
- Transfira para uma grelha e deixe secar.
- Quando completamente frios, recheie com o creme de marshmallow.

Conversão de Medidas Culinárias

A proporção e a quantidade de cada um dos ingredientes de uma receita é um dos fatores responsáveis pelo seu sucesso. Algumas receitas, principalmente as salgadas, são mais robustas. Aceitam pequenas variações sem que o resultado final seja um grande estrago. Já a confeitaria fina exige uma grande acurácia nas medidas, pois pequenas variações podem ser desastrosas no resultado final. É por isso que sempre prefiro utilizar medidas de massa e volume para a quantidade de cada um dos ingredientes. O grande problema é que nem sempre as receitas estão nas medidas que conhecemos, principalmente se a receita é de origem norte-americana ou inglesa. Esqueça a sua xícara de chá! Abandone suas colheres de chá, sopa e café! Os copos, xícaras e colheres que você usa no dia-a-dia não devem ser utilizados para medir os ingredientes de uma receita. Por que? Simples: você sabe se a sua xícara possui o mesmo volume da xícara de quem te passou a receita?! Pois é, isso é extremamente relevante!
Copo Medidor.
Essas variações de volume podem fazer com que o bolo delicioso que você comeu na casa da amiga fique extremamente indigesto quando feito na sua casa. O jeito de evitar essas variações é utilizar os copos e colheres medidores; aqueles que possuem a marcação das medidas para farinha, açúcar, líquidos - indicando a quantidade em unidade de massa, volume ou equivalente em xícaras (medida padronizada). O ideal mesmo seria utilizar uma balança, mas o copo e colheres
Colheres medidoras.

medidores já resolvem boa parte dos problemas. Algumas receitas necessitam de precisão de balança. A leitura do copo medidor está sujeita ao efeito paralaxe, que grosso modo, é aquela diferença na hora de enxergar a superfície do que está sendo medido em comparação com a marcação no copo. Receitas de confeitaria fina necessitam de precisão inclusive na medida dos ovos. Afinal, nem todos os ovos de galinha tem o mesmo tamanho. Há galinhas magrinhas e galinhas balofas! rs... Entretanto, para as receitas cotidianas o copo e as colheres medidores são suficientes. Afinal, a maioria das receitas de confeitaria fina precisa de ainda mais aparatos. Se você for tentar arriscar alguma delas, não será só a balança que vai faltar...
As tabelas abaixo podem ser de grande ajuda na hora de converter medidas.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Uma crítica para o forno!

E não é que alguém resolveu escrever uma crítica sobre o "Forno de Ensaio". Lógico que foi um amigo. E, não poderia ser diferente, pois o blog é acessado prioritariamente pelos amigos. Adorei a crítica! Muito obrigada Jessé! Fiquei muito feliz em saber que mesmo os não cozinheiros se divertem um pouquinho com os meus textos. O Jessé destaca as postagens sobre as cervejas 1664 e Lambic.  Tenho uma lista infindável de cervejas que provamos, fiz anotações e ainda não publiquei no blog. Prometo que tentarei dar um pouco mais de atenção aos leitores cervejeiros! A crítica foi publicada, em oito partes, no perfil do autor no facebook. Reproduzo aqui no blog. Afinal, não só as receitas e reviews merecem espaço por aqui.

Forno de Ensaio
Por Jessé de Almeida Primo

Após finalmente descobrir que poderia transformar o FACEBOOK num espaço para comentar literatura, praticamente não tenho feito outra coisa desde então. Devo dizer que dá muito trabalho: com a limitação de 420 caracteres ou só posso postar poemas com poucos versos ou dividi-los por partes... e fazer as indicações. Com os comentários, o procedimento é o mesmo.

Vamos agora ao que de fato interessa: há alguns blogs de literatura e de discussões culturais em geral que acompanho, entre os quais o de Pedro Sette-Câmara e o Ars Poetica, do poeta Érico Nogueira. No blog de Nogueira, para facilitar nossa vida, encontramos indicações com links para vários outros. E um em especial me chamou atenção: O Forno de Ensaio.

Eu que já acompanhava o Ars Poetica desde sua fundação, a indicação daquele me despertou a curiosidade. Afinal, era a primeira vez que vi aquele nome. Cliquei nele na expectativa de encontrar mais comentários a romances e poesias, enfim críticas literárias. Eis que é na verdade o mesmo Petit Plats da bióloga – e por que não ensaísta - Adriana Invitti que acompanhava antes.

Devem estar se perguntando por que razão falar de um blog de receitas. Digamos que é um blog ecumênico: serve tanto para as mulheres que querem segurar o maridão com os quitutes infalíveis como servem ao propósito de uma boa leitura. Isso mesmo: para mim não teria outra serventia. Não tenho dom para pratos criativos. Só sei fazer feijão, arroz, macarrão, cozinhar ou assar carne.

Eu sempre digo que não tenho inveja de poetas porque só invejo das pessoas a capacidade de fazer aquilo que também posso fazer. Por exemplo, posso invejar a desenvoltura com que Érico Nogueira ou Pedro Sette-Câmara escrevem crítica literária, mas não sua poesia. Afinal, sou ontologicamente impedido de escrever poemas.

Lendo Forno de Ensaio descobri outra coisa que não posso invejar: fazer pratos criativos a um só tempo agradáveis à vista e ao paladar. Por isso não ponho em prática suas receitas. Mas acho admirável – para não dizer invejável – a graça com que essas receitas são escritas, e mais ainda a descrição das circunstâncias em que as idéias dessa Ars Culinaria aparecem.

Nesse blog nos deparamos com uma série de textos em que o refinamento do espírito, a desenvoltura da inteligência e outros luxos da alma se manifestam não em comentários aos livros mais importantes da história da cultura: mas em simples comentários aos prazeres do paladar. Outra coisa admirável é que autora não tem sentimento de culpa com relação ao seu próprio refinamento.

Enfim, o verbo relacionado aos prazeres do prato se manifestam com a mesma dignidade das falas das divertidíssimas personagens femininas das peças de Oscar Wilde, como as maravilhosas Lady Bracknell e sua filha Gwendolen, da comédia The Importance of Being Earnest. Para encerrar, cara Adriana, estamos imaginando com quantos quilos a mais Érico retornará ao Brasil.

 

PS. Aviso que pelo contrário, Érico emagreceu... Vai saber o que isso significa! rs...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Breadsticks de Parmesão

Decidi inovar na receita do pão caseiro. A Betina já havia sugerido adicionar gergelim branco na segunda sova. Gergelim fica muito gostoso, assim como sementes de papoula. No caso do gergelim, adicione meia xícara de gergelim na massa no final da segunda sova. Deve-se usar um pouco menos sementes de papoula, pois elas são bem menores do que o gergelim. Adicione 3 a 4 colheres de chá no final da segunda sova. Lembre-se sempre que as sementes devem ficar bem incorporadas na massa. Não deixe que se formem focos de acúmulo de semente. Caso isso aconteça, sove mais... Bom, vamos esquecer as sementes. Essa postagem é para falar dos breadsticks de parmesão. Breadsticks, como o próprio nome diz, são palitos de pão. Foram inventados em Turim e são fantásticos como aperitivo. Quem nunca comeu um breadstick na Pizza Hut?! A receita do pão caseiro que postei por aqui é bastante versátil, você pode brincar com ela e criar sabores deliciosos. Foi o caso destes breadsticks de parmesão. Facílimos!!! Simplesmente adicionei 150g de grana padano ralado na massa (no final da segunda sova). Esperei os 15 minutos habituais, pós-segunda sova.
Breadsticks recém saídos do forno.
E, moldei em formato de bastões. Mais ou menos do tamanho de uma caneta bic e da largura do dedão (o meu, não o do Getter... dã!). Antes de levar ao forno, cobri com mais grana padano. Ficaram aproximadamente 30 minutos no forno (200ºC), devem ficar dourados. Se você achar que o queijo não está parando em cima do stick, passe um pouquinho de gema de ovo que ele gruda. Não gosto muito desse efeito, pois deixa o pão com brilho. Breadsticks não devem ser brilhantes... brioches sim! O resultado final foram os breadsticks ai das fotos... Deliciosos!!! Devorados rapidamente...

PS. Rendimento: 20 breadsticks.
      Valor energético: 95kcal por breadstick.
      Tempo de preparo: o mesmo do pão caseiro
     
Dicas:
- Pode substituir o grana padano por parmesão, mas evite usar o de pacotinho. Na maioria dos casos é farinha aromatizada e não tem o efeito adequado. Outros queijos como provolone, gouda, reino e edamer também podem ser utilizados. Logo logo vou fazer um teste com gorgozola, que é mole, aviso vocês as quantidades e como adaptar a massa.
- Em relação as sementes: podem se empolgar! Linhaça, gergelim, semente de abóbora, papoula, girassol e etc. Monte a sua mistura. Adicione na segunda sova. Só não exagere!!!! Se colocar sementes demais a massa pode "desandar" e ficar muito dura.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Fiori di Zucca - Um Belo Desastre

Afobação, empolgação, ansiedade, preguiça, excesso de confiança juntos geram caos. Ontem, fui comprar verduras e as flores de abóbora (fiori di zucca) estavam maravilhosas; apesar de ser outono e elas serem típicas da primavera. Não resisti e comprei uma dúzia. Cheguei em casa super-empolgada para fazer um macarrão com molho de flor de abóbora; uma delícia! O problema é que tinha uma tonelada de risoto que tinha sobrado do almoço de domingo. Ok! Contive a empolgação, fiz um frango grelhado para acompanhar o risoto e esperei ansiosamente pelo almoço de hoje. Nesse meio tempo fui fazer a pesquisa das receitas de molho com flor de abóbora. Descobri ser um prato típico do Abruzzo e que precisava de alguns ingredientes que eu não tinha em casa. Começa ai o desastre!
Ingrediente "mancante" nº 1: Açafrão. 
1 - Excesso de confiança: Eu adoro inventar na cozinha e, em geral, funciona bem. Dificilmente alguma coisa fica não comestível. Nesse embalo, achei que podia inventar qualquer coisa e sempre funcionaria. Olhem só que idéia tonta: substitui o açafrão por páprica.
2 - Preguiça: Ah, não vou sair para comprar açafrão, ainda mais que só vai ter no mercado que é longe... Páprica deixa coloridinho também. Não vai fazer diferença, afinal, o meu interesse é no gosto das flores.
Ingrediente "mancante" nº 2: Gema de Ovo.
1 - Excesso de confiança: Nem precisa essa gema de ovo, vou engrossar com farinha que dá na mesma.
2 - Preguiça: Sim, ontem eu fui no açougue (que é onde se compra frios e ovos também). Esqueci completamente de comprar ovos, percebi quando já estava em casa. Preguiça enorme de voltar só para comprar ovos. Não fui, afinal, pra tudo se dá um jeito.
Ingrediente "mancante" nº 3: Queijo pecorino.
1 - Excesso de confiança: Ah! Grana padano e pecorino têm quase o mesmo gosto, um é só um pouco mais salgado do que o outro! rs (Isso foi uma invenção da minha cabeça para me convencer de que era possível fazer a receita. Afinal, no outro dia substitui gruyère por parmesão e semi-funcionou...).
Beleza, dos 10 ingredientes para o molho substitui 3! Ah, só 30%... sendo que sal e pimenta estão na conta... Detalhe importante da receita, que eu fiz questão de ignorar: "use um bom açafrão, pois ele é essencial para potencializar o sabor das flores", "se quiser aumentar o sabor do molho, aumente um pouco a quantidade de pecorino"... Na verdade foi meu cérebro que ignorou, porque eu realmente só percebi que isso estava lá no texto da receita, quando re-li depois do almoço. Ansiedade e Afobação!
Minhas Fiori di Zucca. Lindas!!!!

Ingrediente principal: Flores de Abóbora
1 - Afobação: Como se limpa flor de abóbora?! Sei lá! Lava na água e corta que nem manda a receita... Ops, essa aqui tem pistilo, tiro ou deixo? Deixa que vai ficar mais saboroso... Desencaixo o cálice?! Nem... corta direto que vai mais rápido.
Nota: Forma correta de limpar uma flor de abóbora: retirar os pistilos, desencaixar o cálice (cuidar para retirar a parte com espinhos), lavar com cuidado, pois a flor é muito frágil.
2 - Ansiedade + Empolgação: "Gon, já que falta um monte de coisas, deixa pra fazer amanhã". Não, não, não... As flores vão murchar! Olha como elas estão lindas! Estou morrendo de vontade desse molho. Vou fazer hoje mesmo!

Meu Fusilli Fiori di Zucca. Sem a menor graça!
Resultado final: Comestível, mas quase sem gosto! Se eu tivesse feito sem as flores de abóbora e com hibisco roxo teria dado no mesmo, só que o molho ia ficar lilás ao invés de amarelinho. O açafrão fez muita falta! O parmesão não derreteu bem, meio que grudou na cebola e nos pedacinhos de flor... A consistência ficou aguadinha, faltou a gema de ovo. Sei lá porque a farinha não engrossou. Acho que porque não era para engrossar mesmo. E foi assim: almoço completamente sem graça! Que ódio de mim! Tenho pavor de coisa mal feita e o que eu fiz: sucessão de erros infantis para resultar em uma coisa mal feita! Blarght! Purtroppo cosi! Uma hora dessas faço a receita direitinho, vejo se fica realmente gostosa e coloco aqui no blog pra vocês.

PS. :
"mancante" = que faltava
O que os italianos chamam de fiori di zucca pode ser flor de abóbora ou de abobrinha.