Mostrando postagens com marcador bebidas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bebidas. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Bebendo com os Elfos

Skål com Pripps Blå
Beber na Suécia não é tão simples quanto no Brasil ou aqui na Itália. A terra dos elfos tem regras específicas para a comercialização de bebidas alcóolicas, bem diferentes do que estamos acostumados no Brasil. O jeito mais fácil de encontrar uma bebida que não seja de criança (teor alcoólico superior a 3,5%) é nos bares e pubs. Entretanto, também é a maneira mais cara (uma pint de cerveja nacional custa em torno de 40 skr, ou 10 reais). Esqueça o mercado! Os mercados e supermercados só podem vender bebidas alcoólicas com até 3,5%. Foi muito estranho ver na prateleira uma Guiness com 3,5% de álcool. As lanchonetes e quiosques de salsicha na rua, até 2,1%. Sério, 2,1%! Melhor pedir um refrigerante! A única vantagem de beber no quiosque é que a latinha que vem morna fica estupidamente gelada em poucos minutos. Peculiaridade de lugares que são  mais frios do que o freezer da sua geladeira... O único lugar que comercializa bebidas com os teores alcoólicos que estamos acostumados é o Systembolaget.
Sábado no pub com Dr. Xapatinhos.
Com esse nome e considerando que estavam juntos Érico, Corvo e Cacá; o local foi rapidamente apelidado de BolaGato. Durante nosso passeio de sábado, procuramos por um BolaGato... Todos fechados! Outro detalhe importante: se você pretende beber na Suécia, programe-se com antecedência, pois os BolaGatos fecham no sábado as 15hs e não abrem aos domingos. Durante a semana ficam até as 20h, afinal, não é no final de semana que as pessoas bebem...
Akvavit
Só mais um pequeno detalhe antes de passar para a parte que realmente interessa: as bebidas que provamos. Mesmo nos bares as cervejas são diferenciadas pelo teor alcoólico. A Suécia não é um grande país cervejeiro, então não existe muita variação de sabor entre as cervejas tipicamente suecas. Existe sim, variação de teor alcoólico: Starköl - cerveja forte, acima de 4,5%; Mellanöl - cerveja média, entre 3,5 e 4,5% e Folköl - cerveja do povo, entre 2,1 e 3,5%. Em posse de todas essas informações, tendo perdido o horário do BolaGato e verificando que todos os bares de Estocolmo são extremamente aconchegantes optamos por beber no bar mesmo.
Barraquinha de Glögg
O frio que faz em Estocolmo definitivamente atrai bebidas. Em muitos momentos bebemos uma coisinha ou outra pra ajudar o corpo a esquentar. Realmente funciona! No dia em jantamos no Tennstopet Restaurang provamos a cerveja Pripps Blå, versão starköl e os meninos encararam o snapps mais conhecido da Suécia (depois da vodka Absolut), o akvavit. O akvavit é servido em uma tigelinha com gelo e deve-se colocar no copo somente a quantidade para beber em um gole só. Melhor não deixar esquentar, senão fica bem mais difícil de beber. O sabor é bem parecido com o de uma pinga seca com um retrogosto de alcaçuz. Até que é gostosinho... Os meninos adoraram! Quanto a cerveja, gostosa, mas nada de especial; uma larger padrão. No dia seguinte, o dia das andanças, descobrimos uma bebida fenomenal para o frio: o Glögg, vinho quente com especiarias, amêndoas, passas e um pouco de snapps. Em muitas áreas da cidade tem barraquinhas de Glögg, que é servido como se fosse um cafezinho junto com um Pepparkakor (deliciosos biscoitinhos de gengibre).
Glögg
Os bares também servem o Glögg, só que de um jeito bem mais sofisticado e mais alcoólico também. Nossa noite de sábado foi regada à Falcon, uma starköl um pouco mais amarga do que a Pripps Blå, e akvavit. Muito akvavit! Ao som do Dr. Xapatinhos, os meninos acabaram com a akvavit do bar. Passaram para os snapps dinamarqueses... coisa de viking, ou melhor, bárbaro. Mas, a Dinamarca fica para outra postagem... A grande vantagem foi o calor da ressaca para aquecer os corpos nos 15 minutos de caminhada, com neve na cara, -15ºC, até chegar na estação de trem. Ufa! E, que venha Copenhague!
Skål!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Bourgogne-épineuil

Já comentei na postagem sobre os queijos franceses, que o vinho que escolhemos para acompanhar nossa degustação de queijos foi um bourgogne; mais especificamente um bourgogne-épineuil. Os vinhos chamados bourgogne são mundialmente conhecidos e sua produção é bastante antiga, acredita-se que tenha iniciado no século II a.C.. Eles são produzidos na região da francesa denominada Borgonha, que compreende aos departamentos Yonne, Côte-d'Or, Nièvre e Saône-et-Loire. É uma região bastante grande e fragmentada, em consequência disso, a qualidade e algumas características do vinho variam bastante. Existem centenas de diferentes AOC dentro da região da Borgonha. A região produz principalmente vinhos brancos (Chardonnay e Aligoté), seguidos em número pelos tinhos (Gammay e Pinot Noir) e uma quantidade bem pequena de rosés. O Bourgogne-épineuil é a denominação específica para os vinhos produzidos na região de Tonnerre, que fica no departamento de Yonne. A cidade que dá nome a AOC é Épineuil, tem aproximadamente 600 habitantes e é a terra natal do famoso cartunista francês Alfred Grévin. Os bourgogne-épineuil tintos são produzidos exclusivamente com a uva Pinot Noir.

É uma variedade de uvas pequenas e densas, com grão ovóides e de coloração azul escuro. É considerada uma das uvas mais complexas do mundo. É uma variedade que exige solo argilo-calcário, clima continental e é  extremamente delicada, muito sensível a maioria de doenças e pragas, fazendo com que seu cultivo seja bastante complexo. Possuem um alto potencial de acúmulo de açúcar e uma acidez somente mediana, que pode ser insuficiente na maturidade. Os vinhos, via de regra, são potentes, ricos, com cores vivas, medianamente tânicos e que reagem muito bem ao envelhecimento (que pode ser de 2, 5, 10 ou mais anos, de acordo com o produtor). O bourgogne-épineuil que provamos era da vinícola Alain Mathias, da safra de 2008. Ganhou em 2009 a medalha de bronze no Concurso de Vinhos do Grand Auxerrois em 2009.
Não sei se não estavamos preparados para o sabor desse vinho, ou se o Château Chérubin (merlot/cabernet savignon) que tomamos a tarde não permitiu que percebêssemos as particularidades deste Pinot Noir; mas acabamos classificando-o simplesmente como um bom vinho. Sem muitos confetes! É um vinho bastante leve, "desce macio". A cor é linda! Vermelho brilhante, é bem aromático, frutas vermelhas. O sabor é suave. É bem gostoso! Mas, acho que precisamos de outra garrafa para sentir a sua complexidade. Talvez estivessemos muito mais preocupados em degustar os queijos... hehehe



sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Lambic Framboise e Apple

Hoje é véspera de feriadão no Brasil. Todos devem estar saindo mais cedo do trabalho ou contando os minutos para viajar e descansar. Aqui vai uma dica de sexta-feira, pré-feriadão: cerveja belga! A Lambic é uma delícia para degustar nos momentos de repouso do feriado. E, eu ando muito empolgada com leveduras... (Vocês entenderão ao longo do texto). Lambic é uma variedade muito característica de cerveja. Exclusiva da região de Bruxelas, na Bélgica, ela possui um processo de fermentação bem diferente das outras variedades de cerveja. A maioria das cervejas é produzida por processos de fermentação controlados, em que se utiliza uma única cepa de levedura, devidamente selecionada ( via de regra: Saccharomyces cerevisiae ou Saccharomyces carlsbergensis). No caso das Lambic, mais de 86 cepas de microorganismos participam de um processo de fermentação espontânea, destacando-se as leveduras Brettanomyces bruxellensis e B. lambicus. Esses microorganismos são nativos do vale do rio Senne (Zenne em holandês), o que explica a produção exclusiva na região de Bruxelas. O processo de fermentação utilizado para as Lambic é bastante antigo, seus primeiros registros datam de 1559, onde o processo é tratado como processo ancestral; o que pode indicar que esse tipo de fermentação, para a produção de cervejas, seja ainda mais antigo. A composição é de 70% de malte de cevada e 30% de trigo não maltado, submetidos à fermentação espontânea. As Lambic possuem sabor seco, que lembra cerejas, semelhante ao vinho e às cidras, com retrogosto levemente ácido. Selecionei duas cervejas Lambic, mas do tipo Lambic frutas. O processo utilizado nas Lambic-fruits, como são conhecidas, é a adição de frutas frescas ou suco natural de fruta ao processo de fermentação. As duas cervejas que seguem são da cervejaria Lindemans. A Apple é de maçã, foi criada em 2005 e possui adição de açúcar. Muito gostosa, realmente parece que se está bebendo uma cidra e a maçã intensifica o sabor característico da Lambic. A Framboise é menos doce, não tem adição de açúcar, o cheiro dela é fenomenal! É possível senti-lo a quilômetros. O gosto é fabuloso, o sabor levemente ácido aparece só no final. Destaca-se o gosto da framboesa, mas parece que se está bebendo um prosecco aromatizado com framboesa. Uma delícia! A Lindemans framboise foi criada na década de 70 e no ano passado ganhou o prêmio de melhor cerveja frutada no International Beer Awards, realizado em Hong Kong. Vale a pena provar! E, para os meninos, parece cerveja só para meninas, mas é muito diferente do padrão e deliciosa. Deixem o preconceito de lado e experimentem. Lógico que não é cerveja para beber uma caixa...




Fontes:
Lindemans brasserie
Lambic

sábado, 2 de outubro de 2010

1664

A série de bebidas francesas inicia com uma cerveja. O Érico é um cervejeiro por natureza e, depois da nossa passagem pela Alemanha, Holanda e Bélgica, está cada vez mais adepto do "pãozinho líquido". Na postagem anterior, falei um pouco das descobertas que fizemos em Paris e uma delas foi relacionada à cerveja. Tradicionalmente, quando pensamos na França, vem a cabeça infindáveis tipos de fermentados de uva, que, em geral, possuem uma excelente qualidade. E os fermentados de malte e lúpulo?! No caso das cervejas, a França nunca aparece como um grande produtor, lembra-se sempre dos três países já citados acima junto com a Inglaterra, famosa pelas ales e a Irlanda, pelas stouts. Entretanto, a França produz sim excelentes cervejas. Devemos lembrar que ela tem como vizinhos "de porta" a Bélgica e a Alemanha. Justamente nesta borda da França, que faz fronteira com a Alemanha, encontra-se o pólo cervejeiro francês. Foi na cidade de Estrasburgo, região da Alsácia, que surgiu a cervejaria mais antiga da França, a Kronenbourg, fundada em 1664. A cerveja da Kronenbourg mais apreciada pelos franceses é a 1664. Pertence a categoria blonde e é considerada uma cerveja premium. 
Produzida com o chamado "caviar dos lúpulos", o strisselspalts, é uma cerveja muito leve e saborosa. Em 2004 e 2005, ganhou medalha de ouro no International Brewing Awards. Existe uma grande diferença de sabor entre a servida na pressão (chopp) e a em lata; a da pressão é muito mais gostosa. Tentando resolver esse problema, no ano passado, a Kronenbourg lançou a lata: 1664 pression; que ganhou prêmio de inovação. O sabor leve é ideal para dias mais quentes, pois não é uma cerveja muito encorpada. O sabor do malte não é muito intenso, destacando-se o lúpulo (acho que por motivos óbvios). Segue a mesma receita desde 1664, não deixando nada a desejar às premiuns belgas e alemãs da mesma categoria. Veja as fichas a seguir: